BLOG DA VOZ AMIGA IRANILSON SILVA


12/02/2015


Palavra de Vida

Palavra de Vida - fevereiro 2015

"Por isso, acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus”. (Rm 15,7)

A caminho de Roma, de onde depois seguiria até a Espanha, o apóstolo Paulo manda primeiro uma carta às comunidades cristãs presentes naquela cidade. Nelas, que em breve haveriam de testemunhar com inúmeros mártires a sincera e profunda adesão ao Evangelho, não faltam, como em outros lugares, tensões, incompreensões e até rivalidades. Com efeito, os cristãos de Roma pertencem às mais variadas camadas sociais, culturais e religiosas. Alguns vieram do judaísmo, outros do mundo grego, da antiga religião romana, etc. [...]. Eles trazem consigo as próprias tradições de pensamento e convicções éticas. Alguns são definidos “fracos” , porque seguem costumes alimentares especiais, por exemplo, são vegetarianos ou seguem calendários que indicam dias especiais de jejum; outros são considerados “fortes” , porque livres desses condicionamentos [...]. A todos Paulo dirige um insistente convite:

“Por isso, acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus”.

[...] Paulo está convencido de que cada um, embora na diversidade de opiniões e de costumes, age por amor a Deus. Portanto, não existe motivo para julgar quem pensa de modo diferente, muito menos para escandaliza-lo com atitudes arrogantes e com ares de superioridade. Mas o que é preciso é almejar o bem de todos, a “edificação recíproca”, ou seja, a construção da comunidade, a sua unidade (cf 14, 1-23).

Trata-se de aplicar, também nesse caso, a grande norma da vivência cristã que Paulo tinha recordado pouco antes na carta: “O amor é o cumprimento perfeito da Lei” (13, 10). [...]

O apóstolo propõe como modelo de acolhida mútua a atitude de Jesus quando, na sua morte, [...] assumiu as nossas fraquezas (cf 15, 1-3). Do alto da cruz, Jesus atraiu todos a si e acolheu o judeu João, o centurião romano, Maria Madalena, o ladrão crucificado com ele.

“Por isso, acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus”.

Também nas nossas comunidade cristãs [...] não faltam, tal como nas de Roma, desacordos e contrastes entre modos de ver diferentes e culturas muitas vezes distantes umas das outras. Frequentemente se contrapõem tradicionalistas e inovadores [...], pessoas mais abertas e outras mais fechadas, pessoas interessadas num cristianismo mais social ou mais espiritual. As diferenças são alimentadas por convicções políticas e pela diferença de condição social. [...]

As mesmas dinâmicas podem se deflagrar nos relacionamentos entre cristãos de Igrejas  diferentes, mas também na família, nos ambientes de trabalho ou na vida política.

Insinua-se então a tentação de julgar quem não tem o nosso ponto de vista e de considerar-se superior, numa estéril contraposição e exclusão recíprocas.

O modelo que Paulo propõe não é uma uniformidade que massifica, mas a comunhão entre diferentes que enriquece. [...] O modelo não é, para usar uma imagem do Papa Francisco, a esfera, na qual cada ponto se encontra equidistante do centro e não há diferenças entre um ponto e outro. O modelo é o poliedro, que tem superfícies diferentes entre si e uma composição assimétrica, onde todos os elementos mantêm a sua originalidade. “Até mesmo as pessoas que podem ser criticadas pelos seus erros têm algo a oferecer, que não se deve perder. É a união dos povos, que, na ordem universal, conservam a sua peculiaridade; é a totalidade das pessoas numa sociedade que procura um bem comum que verdadeiramente incorpore a todos”1.

“Por isso, acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus”.

Esta Palavra de Vida é um convite insistente a reconhecer o positivo do outro, pelo menos porque Cristo deu a vida também pela pessoa que seríamos levados a julgar. É um convite a ouvir, deixando de lado os mecanismos de defesa, a permanecer aberto á mudança, a acolher as diferenças com respeito e amor, a fim de formar uma comunidade diversificada e ao mesmo tempo unida.

Esta frase foi escolhida pela Igreja Evangélica na Alemanha para ser vivida pelos seus membros [...] por todo o ano de 2015. Compartilhá-la, pelo menos este mês, [...] já pode ser um sinal de acolhida mútua.

Assim poderemos dar glória a Deus com um só coração e uma só voz (15,6), porque, como disse Chiara Lubich na catedral reformada de São Pedro, em Genebra: “O tempo presente [...] pede amor a cada um de nós, pede unidade, comunhão, solidariedade. E chama também as Igrejas a recompor a unidade quebrada há séculos. Esta é a reforma das reformas que o Céu nos pede. É o primeiro passo – passo necessário – para a fraternidade universal com todos os homens e mulheres do mundo. Com efeito, o mundo acreditará, se estivermos unidos”2.


Fábio Ciardi


 

1) Evangelii gaudium, 336; 2) Chiara Lubich, Il dialogo è vita, Roma, 2007, pp 43-33

Escrito por Iranilson Silva às 12h53
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27/01/2015


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Escrito por Iranilson Silva às 14h53
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06/01/2015


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Escrito por Iranilson Silva às 11h42
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02/01/2015


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01/01/2015


Palavra de Vida, uma novidade contínua

Palavra de Vida, uma novidade contínua

27 Dezembro 2014

A partir do mês de janeiro, o comentário à frase da Sagrada Escritura, escolhida mês a mês, durante o ano de 2015, terá a assinatura do padre Fábio Ciardi.

Os comentários à Palavra de Vida, em 2015, serão feitos por Fábio Ciardi, religioso oblato de Maria Imaculada. Por quê? Podemos ler em Città Nuova, do dia 25 de novembro, onde ele mesmo responde: “Talvez porque eu tenha vivido próximo a Chiara Lubich por muito tempo, trabalhando com ela especialmente no campo da teologia espiritual. Nos últimos anos, quando ela já estava doente, eu pude ajudá-la na preparação dos comentários da Palavra de Vida. Espero que a minha participação, já há muito tempo, na Escola Abba – equipe que estuda os ‘testos fundadores’ do carisma da unidade – tenha me ajudado a assimilar um pouco da sabedoria de Chiara e expressá-la também por meio destes novos comentários”.

Muitas gerações de cristãos viveram a Palavra de Deus. Qual a novidade trazida por Chiara Lubich? Outra pergunta na entrevista. “Normalmente usava-se somente meditar ou rezar a Palavra. Nos comentários de Chiara tem o pedido para que se coloque em prática, para transformá-la em vida, como exorta são Tiago: ‘Sejam praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-se a si mesmos (Ti 1,22). A escuta autêntica feita com o coração e não somente com o ouvido, equivale à assimilação e interiorização da Palavra, de maneira que seja ela a edificar a inteira existência cristã. Além disso, Chiara despertou a atenção quanto à dimensão social da Palavra de Deus: ela deve poder gerar uma comunidade cristã. Para auxiliar este aspecto existe a ‘comunhão sobre a Palavra de Deus’, isto é, a comunicação entre aqueles que a vivem, dos efeitos que ela produz, de modo a ajudar-se a descobrir todas as potencialidades da palavra”.

“Antes de sermos nós a viver Palavra, se observarmos bem, é a Palavra que nos faz viver”, continua. “O destino da Palavra, escreveu Chiara, é o de ‘ser alimento’ para edificar Cristo em nós e Cristo entre nós”. Narrando a experiência vivida no início do Movimento, ela afirmou: “Nós nos nutríamos da Palavra em cada instante da nossa vida. Isto mesmo: assim como o corpo respira para viver, assim também a alma – para viver – vivia a Palavra”.

Na entrevista a Città Nuova, padre Fábio afirmou: “No caminho da tradição aberto por Chiara, somos chamados a continuar, exatamente segundo o seu exemplo, a interpelar a Escritura porque esta sempre contém novas respostas para situações sempre diferentes”. E ainda: “Os comentários de sua autoria permanecerão um precioso tesouro no qual continuaremos a nos inspirar, serão sempre objeto de meditação e fonte de inspiração”.

E conclui: “Tenho a consciência de que a minha parte é somente uma pequena introdução à leitura da Palavra de Vida, mas, é a Palavra que permanece no leitor; não o comentário. E a Palavra produz frutos”.

Fonte: Città Nuova, 25 de novembro de 2014

Escrito por Iranilson Silva às 18h07
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Palavra de Vida

Palavra de Vida - janeiro 2015

«Disse-lhe Jesus: “Dá-me de beber”» (Jo 4, 7).

Deixando a Judeia, Jesus dirige-se para a Galileia, seguindo uma estrada que atravessa a Samaria. Por volta do meio-dia, cansado da viagem, senta-se junto ao poço que o Patriarca Jacob construíra há cerca de 1700 anos. Estava com sede, mas não havia ali nenhum recipiente para tirar água. O poço era muito fundo, com 35 metros de profundidade (como se pode verificar ainda hoje).

Os discípulos tinham ido à aldeia comprar comida e Jesus ficou ali sozinho. Então chegou uma mulher com uma bilha, e Ele, com simplicidade, pede-lhe de beber. É um pedido que vai contra os costumes do tempo: um homem não se dirige diretamente a uma mulher, especialmente se se trata de uma desconhecida. Para além disso, entre Judeus e Samaritanos há divisões e preconceitos religiosos: Jesus é judeu, a mulher é samaritana. As rivalidades e até o ódio entre os dois povos têm raízes profundas, com origens históricas e políticas.

Depois, há entre os dois uma outra barreira, de tipo moral: a samaritana teve vários maridos, e agora vive numa situação irregular. Será talvez por essa razão que ela não vem buscar água na companhia das outras mulheres, de manhã ou ao final da tarde, mas sim a uma hora insólita como esta: ao meio-dia. Provavelmente para evitar comentários.

Jesus não se deixa condicionar por qualquer tipo de barreira e abre o diálogo com esta estranha. Ele quer entrar no seu coração, e por isso pede-lhe: 

“Dá-me de beber” 

Ele tem uma oferta reservada para ela: o tesouro da água viva. «Se alguém tem sede, venha a mim; e quem crê em mim que sacie a sua sede!» – ouvi-lo-emos gritar mais tarde no templo de Jerusalém (7, 37). A água é essencial para qualquer tipo de vida, sendo especialmente preciosa em sítios áridos, como é o caso da Palestina.

Mas a água que Jesus quer dar é uma água “viva”, que simboliza a revelação de um Deus que é Pai e é amor. É o Espírito Santo, a vida divina que Ele veio trazer. Tudo o que Ele nos dá é vivo e serve para a vida: Ele próprio é o pão “vivo” (cf. 6, 51 ss), é a Palavra que dá a vida (cf. 5, 25), é simplesmente a Vida (cf. 11, 25-26). João, que o testemunhou, revela que, quando um dos soldados lhe deu um golpe com a lança, «imediatamente saiu sangue e água» (19, 34): é a oferta extrema e total de si.

Mas Jesus não impõe nada. Nem sequer a recrimina pela sua vida irregular. Ele, que tudo pode dar, pede, porque de facto precisa da dádiva dela: 

“Dá-me de beber” 

Jesus pede de beber, porque está cansado e tem sede. Ele, o Senhor da vida, faz-se passar por indigente, sem esconder a sua verdadeira humanidade. Aliás, Ele suplica, porque sabe que, se aquela mulher der qualquer coisa, mais facilmente, estará pronta a receber.

Com este pedido, inicia-se um colóquio tecido de argumentos, hesitações, aprofundamentos, findo o qual Jesus lhe pode revelar a sua identidade. O diálogo faz cair as barreiras de defesa, levando à descoberta da verdade: a água que Ele veio trazer.

A mulher deixa ali aquilo que, naquele momento, era o mais importante para ela, a sua bilha, pois acaba de encontrar uma outra riqueza muito mais importante. Então, corre à cidade para levar esta notícia aos seus vizinhos. E também ela não impõe nada. Limita-se a contar o que lhe aconteceu, comunicando a sua experiência. Depois, ela mesma se questiona sobre quem será aquela pessoa que encontrou e que lhe pediu: 

“Dá-me de beber” 

Parece-me que, nesta página evangélica, podemos captar um ensinamento para o diálogo ecuménico, cuja urgência nos é recordada todos os anos, neste mês. A “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos” deve fazer-nos tomar consciência das divisões escandalosas entre as Igrejas, que perduram desde há tantos anos. Ao mesmo tempo, somos convidados a acelerar os tempos para uma comunhão profunda que ultrapasse todas as barreiras, à semelhança do que fez Jesus ao ultrapassar as fraturas entre Judeus e Samaritanos.

A desunidade entre os cristãos é uma das muitas fraturas que dilaceram a humanidade, nos mais diversos ambientes: mal-entendidos, divisões familiares e entre vizinhos, atritos nos locais de trabalho, rancores em relação aos imigrantes. As barreiras que muitas vezes nos dividem podem ser: sociais, políticas, religiosas, ou simplesmente fruto de hábitos culturais diferentes que não sabemos aceitar. São estas barreiras que originam tanto os conflitos entre as nações e etnias, como as rivalidades no nosso bairro. Não poderíamos abrir-nos aos outros, como fez Jesus, superando todas as diferenças e preconceitos? Porque não atendemos à exigência de compreensão, de ajuda, de atenção, talvez formulada de modos diferentes? Em todos os seres humanos, mesmo naqueles que podem ser nossos adversários, ou que pertencem a culturas, religiões ou sociedades desconhecidas, esconde-se um Jesus que se dirige a nós, suplicando-nos:  

“Dá-me de beber” 

É espontâneo lembrarmo-nos logo de uma outra palavra de Jesus, pronunciada na cruz (também esta testemunhada pelo Evangelho de João): «Tenho sede» (19, 28). É a indigência primordial, expressão de qualquer outra indigência. Em qualquer pessoa necessitada, desempregada, sozinha, estrangeira, mesmo que seja doutra fé ou convicção religiosa, mesmo que nos seja hostil, podemos reconhecer Jesus que nos diz: “Tenho sede”, e que nos pede: “Dá-me de beber”. Basta oferecer um copo de água – diz o Evangelho – para termos a recompensa (cf. Mt 10, 42), para estabelecer o diálogo que recompõe a fraternidade.

Também nós, pelo que nos diz respeito, podemos exprimir as nossas necessidades, sem nos envergonharmos de “termos sede” e pedirmos também: “Dá-me de beber”. Assim pode-se iniciar um diálogo sincero e uma comunhão concreta, sem termos medo das diferenças, nem de corrermos o risco de comunicar o nosso pensamento e aceitar o do outro. Devemos apoiar-nos principalmente sobre as capacidades de quem está diante de nós, sobre os seus valores presentes, mesmo se escondidos, como fez Jesus que soube descobrir na samaritana uma coisa que ela podia fazer e ele não, isto é, tirar água. 

Fabio Ciard

Escrito por Iranilson Silva às 18h06
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31/12/2014


Feliz Ano Novo

FELIZ ANO NOVO!

FELIZ 2015!

Escrito por Iranilson Silva às 16h22
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25/12/2014


Feliz Natal!

Feliz Natal!

Escrito por Iranilson Silva às 12h06
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23/12/2014


Palavra de Vida

Palavra de Vida - dezembro de 2014

«Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo» (Lc 3,11).

Neste período do Advento – o tempo que nos prepara para o Natal – é-nos proposta, de novo, a figura de S. João Baptista. Ele foi enviado por Deus a fim de preparar o caminho para a vinda do Messias. A todos os que iam ter com ele, pedia uma profunda mudança de vida: «Produzi frutos de sincero arrependimento» (Lc 3, 8). E a quem lhe perguntava: «Que devemos, então, fazer?» (Lc 3, 10), respondia: 

«Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo». 

Porquê dar ao outro aquilo que é meu? Porque o outro, tendo sido criado por Deus, tal como eu, é meu irmão, minha irmã. Portanto, é parte de mim. «Não posso ferir-te sem me magoar» (2), dizia Gandhi. Fomos criados para sermos uma dádiva uns para os outros, à imagem de Deus que é Amor. No nosso sangue temos inscrita a lei divina do amor. Jesus, vindo viver entre nós, revelou-no-lo claramente quando nos deu o seu mandamento novo: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (cf. Jo 13, 34). É a “lei do Céu”, a vida da Santíssima Trindade trazida à Terra, é o centro do Evangelho. Tal como no Céu o Pai, o Filho e o Espírito Santo vivem em plena comunhão, a ponto de serem uma coisa só (cf. Jo 17, 11), também nós, na Terra, seremos nós próprios na medida em que vivermos na reciprocidade do amor. E como o Filho disse ao Pai: «Tudo o que é meu é teu e o que é teu é meu» (Jo 17, 10), também entre nós o amor é completo quando se partilham não só os bens espirituais, mas também os bens materiais. 
As necessidades de um nosso próximo são as necessidades de todos. Falta a alguém o trabalho? É a mim que falta. Há quem tem a mãe doente? Ajudo-o como se fosse a minha. Outros têm fome? É como se eu tivesse fome e procuro comida para eles como o faria para mim próprio. 
É a experiência dos primeiros cristãos de Jerusalém: «(A multidão) tinha um só coração e uma só alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum» (Act 4, 32). Comunhão de bens que, embora não obrigatória, era vivida, no entanto, intensamente entre eles. Não se tratava – como explicaria o apóstolo Paulo – de fazer entrar em apuros alguns para aliviar outros, «mas sim de que haja igualdade» (2 Cor 8, 13). 

S. Basílio de Cesareia diz: «Ao faminto pertence o pão que tu pões de lado; ao nu, o casaco que guardas no teu baú; aos indigentes, o dinheiro que tens escondido» (3). 
E Santo Agostinho: «O supérfluo dos ricos pertence aos pobres» (4). 
«Também os pobres se têm de ajudar uns aos outros: um pode emprestar as suas pernas ao coxo; o outro, os seus olhos ao cego, para o guiar; um outro ainda, pode visitar os doentes» (5). 

«Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo».
Também hoje podemos viver como os primeiros cristãos. O Evangelho não é uma utopia. São uma demonstração disso, por exemplo, os novos Movimentos eclesiais que o Espírito Santo suscitou na Igreja, para fazer reviver, com frescura, a radicalidade evangélica dos primeiros cristãos e para responder aos grandes desafios da sociedade atual, onde as injustiças e a pobreza são tão fortes.
Recordo o início do Movimento dos Focolares, quando o novo carisma nos infundia no coração um amor muito especial pelos pobres. Quando os encontrávamos na rua, tomávamos nota das suas moradas, para mais tarde os ir visitar e ajudar. Eram Jesus: «Foi a mim que o fizestes» (Mt 25, 40). Depois de os termos visitado nos seus casebres, convidávamo-los para irem almoçar à nossa casa. Para eles, púnhamos a toalha mais bonita, os melhores talheres, a comida de melhor qualidade. À nossa mesa, no primeiro focolar, sentavam-se uma focolarina, um pobre, uma focolarina, um pobre...
A um dado momento, pareceu-nos que o Senhor nos pedia que também nós nos tornássemos pobres, para servirmos os pobres e a todos. Então, num quarto do primeiro focolar, cada uma colocou, ali no meio, aquilo que pensava ter a mais: um casaco, um par de luvas, um chapéu, e até um casaco de cabedal... E, atualmente, para ajudarmos os pobres, temos empresas que dão postos de trabalho e dão os seus lucros para distribuir!
Mas ainda há muito a fazer pelos “pobres”.

«Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo».
Temos tantas riquezas para pôr em comum, mesmo que não nos pareça! Temos sensibilidades a aperfeiçoar, conhecimentos a adquirir para podermos ajudar concretamente, para encontrar o modo de viver a fraternidade. Temos afeto no coração para dar, cordialidade para exprimir, alegria para transmitir. Temos tempo para pôr à disposição, orações, riquezas interiores para pôr em comum pessoalmente ou por escrito. Mas temos também, às vezes, coisas: carteiras, canetas, livros, dinheiro, casas, automóveis para pôr à disposição... Provavelmente acumulamos muitas coisas, pensando que um dia nos vão ser úteis e, no entanto, ali ao lado, há quem precise delas urgentemente.
Assim como as plantas absorvem do solo apenas a água que lhes é necessária, também nós procuremos ter apenas aquilo de que precisamos. É preferível que, de vez em quando, verifiquemos que nos falta qualquer coisa. É melhor sermos um pouco pobres do que um pouco ricos. 
«Se todos se contentassem com o necessário – dizia S. Basílio –, e dessem o supérfluo aos necessitados, já não haveria nem ricos nem pobres» (6).
Experimentemos, comecemos a viver assim. É claro que Jesus não deixará de nos fazer chegar o cêntuplo. Teremos então a possibilidade de continuar a dar. No final, ele vai dizer-nos que tudo o que tivermos dado, seja a quem for, foi a Ele que o demos.

Chiara Lubich

1) Publicada em Città Nuova 2003/22, p. 7; 2) cf. Wilhelm Mühs, Parole del cuore, Milão 1996, p. 82; 3) Aforismi e citazioni cristiane, Piemme, 1994, p. 44; 4) ID, p. 45; 5) ibid.; 6) Aforismi e citazioni cristiane, p. 44. 

Escrito por Iranilson Silva às 10h11
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16/11/2014


Palavra de Vida

Palavra de Vida - novembro 2014


“Em ti está a fonte da vida” (Sl 35[36],10)


[...] Essa Palavra da Escritura nos diz algo tão importante, tão vital, que chega a ser um instrumento de reconciliação e de comunhão.

Para começar, ela nos diz que só existe uma fonte da vida: Deus. Dele, do seu amor criativo, nasce o universo, e Ele o faz ser a casa do homem.

É Deus quem nos dá a vida com todos os seus dons. O salmista, conhecedor de como são ásperos e áridos os desertos, sabedor do que significa uma nascente de água, com a vida que floresce ao seu redor, não podia encontrar uma imagem mais bela para cantar a criação que nasce, como um rio, do regaço de Deus.

É por isso que jorra do seu coração um hino de louvor e de gratidão. Este é o primeiro passo a ser dado, o primeiro ensinamento a ser tirado das palavras do Salmo: louvar e agradecer a Deus pela sua obra, pelas maravilhas do cosmo e pelo homem vivente, aquele que é a sua glória e é a única criatura capaz de dizer-lhe:

“Em ti está a fonte da vida”

Mas, para o amor do Pai não foi suficiente pronunciar a Palavra com a qual tudo foi criado. Ele quis que a sua própria Palavra assumisse a nossa carne. Deus, o único verdadeiro Deus, fez-se homem em Jesus e trouxe à terra a fonte da vida.

A fonte de todo bem, de todo ser e de toda felicidade veio tomar morada entre nós, para que a tivéssemos, por assim dizer, ao alcance das mãos. “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10), diz Jesus. Ele preencheu de si mesmo cada tempo, cada espaço da nossa existência. E quis permanecer conosco para sempre, de modo a ser reconhecido e amado sob as mais diferentes vestes.

Às vezes aflora o pensamento: “Como seria bom viver no tempo de Jesus!” Pois bem, o seu amor inventou um modo de permanecer não apenas num pequeno rincão da Palestina, mas em todos os pontos da terra: conforme a sua promessa, Ele se faz presente na Eucaristia. E ali podemos matar a nossa sede para nutrir e renovar a nossa vida.

“Em ti está a fonte da vida”

Outra fonte onde podemos sorver a água viva da presença de Deus é o irmão, a irmã. Todo próximo que passa ao nosso lado, sobretudo o mais necessitado, quando nós o amamos, não se pode considerar um nosso beneficiado, mas um nosso benfeitor, porque nos doa Deus.

De fato, amando Jesus nele – “Pois eu estava com fome (…), estava com sede (…), era forasteiro (…), estava na prisão (…)” (cf. Mt 25,31-40) –, recebemos em troca o amor de Jesus, a sua vida, porque Ele mesmo, presente nos nossos irmãos e irmãs, é a fonte desse amor.

Uma fonte rica de água é também a presença de Deus dentro de nós. Ele sempre nos fala, e cabe a nós escutar a sua voz, que é a voz da consciência. Quanto mais nos esforçamos em amar Deus e o próximo, tanto mais a sua voz se torna forte e supera todas as outras. Mas existe um momento privilegiado no qual, como em nenhum outro, podemos ter acesso à sua presença dentro de nós: é quando rezamos e procuramos aprofundar o nosso relacionamento direto com Ele, que habita no fundo da nossa alma. É como um profundo veio de água que não seca jamais, que está sempre à nossa disposição e que pode saciar a nossa sede a cada momento. Bastará fechar por um instante as janelas da alma e recolher-nos, para encontrar esse manancial, mesmo estando no mais árido deserto. Até alcançarmos aquela união com Ele na qual sentimos que não estamos mais sós, mas somos dois: Ele em mim e eu Nele. Todavia somos um – por sua graça – como a água e a nascente, como a flor e a sua semente.

Portanto, [...]  a Palavra do Salmo nos lembra que somente Deus é a fonte da vida e portanto fonte da comunhão plena, da paz e da alegria. Quanto mais nos saciarmos dessa fonte, quanto mais vivermos dessa água viva que é a sua Palavra, tanto mais nos aproximaremos uns dos outros e viveremos como irmãos e irmãs. Então se realizará, como continua o mesmo Salmo: “… e à tua luz vemos a luz”, aquela luz que a humanidade espera.

Chiara Lubich

Este comentário à Palavra de Vida foi publicado originalmente em janeiro de 2002.

Escrito por Iranilson Silva às 13h02
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11/10/2014


Palavra de Vida

Palavra de Vida - outubro 2014

«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede» (Jo 6, 35).

Neste trecho do Evangelho, São João conta que Jesus, depois de ter multiplicado os pães – durante o grande discurso feito em Cafarnaum –, diz: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará» (Jo 6, 27).

Para os seus ouvintes, é uma referência muito evidente ao maná do deserto, assim como à expectativa do “segundo” maná que irá descer do céu no tempo messiânico.

Como a multidão não compreende bem, pouco depois, no mesmo discurso, Jesus apresenta-se como sendo Ele mesmo o verdadeiro pão descido do céu, que deve ser aceite mediante a fé:

«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede».

Jesus vê-se já como pão. É exatamente esse o motivo último da sua vida aqui na Terra. Ser pão para ser comido. E ser pão para nos comunicar a sua vida, para nos transformar n’Ele. Até aqui o significado espiritual desta palavra, com as suas referências ao Antigo Testamento, é claro. Mas o discurso torna-se misterioso e difícil quando, mais adiante, Jesus diz de si mesmo: «O pão que Eu hei de dar é a minha carne, pela vida do mundo» (Jo 6, 51b) e «se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós» (Jo 6, 53).

É o anúncio da Eucaristia, que escandaliza e afasta muitos discípulos. Mas é a maior dádiva que Jesus quer oferecer à humanidade: a sua presença no sacramento da Eucaristia, que sacia a alma e o corpo, que dá a plenitude da alegria, pela íntima união com Jesus.

Uma vez nutridos com este pão, já não há razão para existir qualquer outra fome. Todo o nosso desejo de amor e de verdade é saciado por Aquele que é o próprio Amor, a própria Verdade.

«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede».

Portanto, este pão nutre-nos de Jesus já nesta Terra. Mas é-nos dado para que, cada um de nós possa, por sua vez, saciar a fome espiritual e material da humanidade que nos circunda.

O mundo recebe o anúncio de Cristo não tanto através da Eucaristia, quanto através da vida dos cristãos nutridos por ela e pela Palavra. Eles, pregando o Evangelho com a vida e com a voz, tornam presente Cristo no meio das pessoas.

A vida da comunidade cristã, graças à Eucaristia, torna-se a vida de Jesus. Uma vida, portanto, capaz de dar o amor e a vida de Deus aos outros.

«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede».

Com a metáfora do pão, Jesus ensina-nos também a forma mais autêntica, mais “cristã” de amar o nosso próximo.

De facto, o que significa amar?

Amar significa “fazer-se um” com todos, fazer-se um em tudo aquilo que os outros desejam: nas coisas mais pequenas e insignificantes e naquelas a que talvez nós não dêmos importância, mas que interessam aos outros.

E Jesus exemplificou de forma estupenda este modo de amar tornando-se pão para nós. Ele faz-se pão para entrar em todos, para se tornar comestível, para se fazer um com todos, para servir, para amar todos.

Então, façamo-nos um também nós até ao ponto de sermos alimento para os outros.

O amor é isto: fazer-se um de modo que os outros se sintam nutridos com o nosso amor, confortados, aliviados, compreendidos.

Chiara Lubich

 

1) Publicada em Città Nuova 2000/14, p. 7.

Escrito por Iranilson Silva às 22h28
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06/10/2014


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Escrito por Iranilson Silva às 09h13
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08/09/2014


Palavra de Vida

Palavra de Vida - setembro 2014

«Acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória de Deus» (Rm 15, 7).

Estas palavras constituem uma das últimas recomendações que São Paulo dirigiu, na sua carta aos cristãos de Roma. Esta comunidade, aliás, como muitas outras espalhadas pelo mundo greco-romano, era formada por fiéis provenientes em parte do paganismo e em parte do judaísmo. Portanto, com mentalidades, formação cultural e sensibilidade espiritual muito diferentes. Esta diversidade era causa de juízos, preconceitos, discriminações e intolerâncias entre eles, que não eram de maneira nenhuma segundo a aceitação recíproca que Deus gostaria que tivessem.

Para os ajudar a vencer essas dificuldades, o Apóstolo não encontrou um meio mais eficaz do que fazê-los refletir sobre a graça das suas conversões. O facto de que Jesus os chamara à fé, comunicando-lhes o dom do Seu Espírito, era a prova palpável do amor com que Jesus acolhera cada um deles. Apesar do passado pessoal e da diversidade de proveniências, Jesus acolhera-os a todos para formarem um só corpo.

«Acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória a de Deus».

Estas palavras de São Paulo lembram-nos um dos aspetos mais comovedores do amor de Jesus. Foi o amor com que Jesus, durante a sua vida terrena, sempre acolheu todos, especialmente os mais marginalizados, os mais necessitados, os mais afastados. Foi o amor com que Jesus ofereceu a todos a Sua confiança, a Sua confidência, a Sua amizade, abatendo uma por uma as barreiras que o orgulho e o egoísmo humano tinham erguido na sociedade do Seu tempo. Jesus foi a manifestação do amor, plenamente acolhedor, do Pai do Céu por cada um de nós e do amor que, consequentemente, nós deveríamos ter uns pelos outros. É esta a primeira vontade do Pai para nós. Por isso, não Lhe poderíamos dar uma glória maior do que a que Lhe damos quando procuramos acolher-nos uns aos outros, como Jesus nos acolheu.

«Acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória a de Deus».

Como viveremos, então, a Palavra de Vida deste mês? Ela chama a nossa atenção para um dos aspetos mais frequentes do nosso egoísmo e, admitamos, dos mais difíceis de vencer: a tendência para nos isolarmos, para fazer discriminações, para marginalizar, para excluir o outro, porque é diferente de nós e pode vir a perturbar a nossa tranquilidade.

Procuremos viver esta Palavra de Vida, antes de mais, no âmbito das nossas famílias, associações, comunidades, grupos de trabalho, eliminando em nós os juízos, as discriminações, os preconceitos, os ressentimentos, as intolerâncias com este ou aquele próximo, tão fáceis e tão frequentes, que tanto arrefecem e comprometem os relacionamentos humanos e impedem – bloqueando como a ferrugem – o amor recíproco.

E depois, na vida social em geral, fazendo o propósito de testemunhar o amor acolhedor de Jesus a todo e qualquer próximo que o Senhor nos faça encontrar, sobretudo àqueles que o egoísmo social tende mais facilmente a excluir ou a marginalizar.

A aceitação do outro, daquele que é diferente de nós, é a base do amor cristão. É o ponto de partida, o primeiro degrau para a construção da civilização do amor, daquela cultura de comunhão a que Jesus nos chama, sobretudo agora.

Chiara Lubich

 

1) Publicada em Città Nuova 1992/22, pp. 32-33.

Escrito por Iranilson Silva às 11h18
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31/08/2014


Nova Cópia

Escrito por Iranilson Silva às 15h06
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01/08/2014


Palavra de Vida

Palavra de Vida - agosto 2014

Em todo o mundo, os membros do Movimento Focolares vivem a Palavra de vida: uma frase do Evangelho que é posta em prática no dia a dia, nas mais variadas situações. Para o mês de agosto, é esta:

«Perdoa ao teu próximo o mal que te fez, e os teus pecados, se o pedires na tua oração, serão perdoados» (Sir 28, 2).

Esta Palavra de Vida é tirada de um dos livros do Antigo Testamento, escrito – entre os anos 180 e 170 antes de Cristo – por Ben Sira, um sábio, um escriba, que exercia o seu cargo de mestre em Jerusalém. Ele ensina um tema muito apreciado em toda a tradição sapiencial bíblica: Deus é misericordioso para com os pecadores e o Seu modo de agir deve ser imitado por nós. O Senhor perdoa todas as nossas culpas porque «é misericordioso e compassivo, é paciente e cheio de amor» (cf. Sl 103, 3.8). Desvia os olhos dos nossos pecados (cf. Sb 11, 23), esquece-os, lançando-os para trás de Si (cf. Is 38, 17). De facto, Ele – escreve ainda Ben Sira –, conhecendo a nossa pequenez e miséria, «multiplica o Seu perdão». Deus perdoa porque, como qualquer pai, como qualquer mãe, ama os seus filhos, e, portanto, desculpa-os sempre, cobre os seus erros, dá-lhes confiança e encoraja-os sem nunca se cansar.

Porque é pai e mãe, a Deus não basta só amar e perdoar aos seus filhos e às suas filhas. O Seu grande desejo é que eles se tratem como irmãos e irmãs, estejam de acordo, se estimem, se amem. A fraternidade universal, eis o grande projeto de Deus sobre a humanidade. Uma fraternidade mais forte do que as inevitáveis divisões, atritos, rancores que se insinuam com tanta facilidade devido a incompreensões e erros.

Muitas vezes as famílias dividem-se porque os seus membros não se sabem perdoar. Ódios antigos mantêm a separação entre parentes, entre grupos sociais, entre povos. E chega-se até a ensinar a não esquecer as ofensas sofridas, a cultivar sentimentos de vingança… E um rancor surdo envenena a alma e corrói o coração.

Alguns pensam que o perdão é uma fraqueza. Mas não, ele é a expressão de uma coragem extrema, é amor verdadeiro, o mais autêntico porque é o mais desinteressado. «Se amais os que vos amam, que recompensa haveis de ter?», diz Jesus. Todos sabem fazer isto. «Amai os vossos inimigos» (cf. Mt 5, 44-46).

Também a nós é pedido que tenhamos – aprendendo com Ele – um amor de pai, um amor de mãe, um amor de misericórdia, para com todos os que encontrarmos durante o dia, especialmente aqueles que erram. Além disso, àqueles que são chamados a viver uma espiritualidade de comunhão – ou seja, a espiritualidade cristã –, o Novo Testamento pede ainda mais: «Perdoai-vos mutuamente» (cf. Cl 3, 13). O amor recíproco pede quase um pacto entre nós: estarmos sempre prontos a perdoar-nos uns aos outros. Só assim poderemos contribuir para criar a fraternidade universal.

«Perdoa ao teu próximo o mal que te fez, e os teus pecados, se o pedires na tua oração, serão perdoados».

Estas palavras não nos convidam apenas a perdoar, mas recordam-nos que o perdão é a condição necessária para que também nós possamos ser perdoados. Deus ouve-nos e perdoa-nos na medida em que soubermos perdoar. O próprio Jesus nos avisa: «Com a medida com que medirdes, assim sereis medidos» (Mt 7, 2). «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7). Com efeito, se o coração estiver endurecido pelo ódio, nem sequer é capaz de reconhecer e de aceitar o amor misericordioso de Deus.

Como viver então esta Palavra de Vida? Sem dúvida, perdoando imediatamente se houver alguém com quem ainda não nos tivermos reconciliado. Mas isto não é suficiente. Vai ser preciso procurar nos recantos mais secretos do nosso coração e eliminar até a simples indiferença, a falta de benevolência, todas as atitudes de superioridade, de desprezo em relação a qualquer pessoa que passa ao nosso lado.

Não só: é preciso um trabalho de prevenção. E, deste modo, todas as manhãs ver com um olhar novo aqueles que encontrarmo-nos – na família, na escola, no trabalho, na loja –, prontos a passar por cima de alguma coisa que não estiver bem nas suas atitudes, pronto a não julgar, a dar-lhes confiança, a esperar sempre, a acreditar sempre. Aproximarmo-nos de cada pessoa com esta amnistia completa no coração, com este perdão universal. Não recordar de modo nenhum os seus defeitos, cobrir tudo com o amor. E, ao longo do dia, se formos grosseiros ou impacientes com alguém, procurar remediar com um pedido de desculpa ou um gesto de amizade. Ou, quando tivermos uma atitude instintiva de rejeição do outro, procurar substituí-la por uma atitude de total acolhimento, de misericórdia sem limites, de completo perdão, de partilha, de atenção às suas necessidades.

Então também cada um de nós, quando elevar a oração ao Pai, quando, sobretudo, Lhe pedir perdão pelos seus erros, verá ser atendido o seu pedido: poderá dizer com plena confiança: «Perdoa-nos as nossas ofensas, como nós perdoamos aos que nos ofenderam» (Mt 6, 12).

Chiara Lubich

Publicada em Cidade Nova N.º 5/2002, p. 21.

Escrito por Iranilson Silva às 18h50
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